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Blog de r.g.de.oliveira
 


Canto de Paz

 

Lectora: Juçara Spinelli

I

Na idade das civilizações
Por tanto tempo já vividas
Não equivale a nada – é eternidade
E nesta fração nunca houve paz

A paz não é somente a ausência
Da guerra bruta que surge fétida
Nem a falta da violência chula
Em cabarés do norte e do sul

A paz não é somente o marasmo
Dos elementos quedos esperando tempestade
É algo mais belo e mais sublime
Talvez seja o próprio Deus

Não cheirar perfumes amenos
Em colo suave de mulher bonita
Não é o filho calado e neurótico
Preso aos quatro cantos da sala

Não é verter sorrisos falsos
De homens e mulheres histéricos
Não é a fome do sexo refulgente
Nem a timidez do sofrido

Não é a voz muda cheia de medo
Esperando não perder o ordenado
Não é o andar lento do vitorioso
Nem o choro amargo do vencido

Não é soluços de amor malditos
Ou minutos acres de solidão profunda
Não é o aperto de mãos inimigas
Nem o perdão de uma alma fraca

Não é a história da fadas contada
Nas ruas pela molecada pária
Não é o silêncio do cárcere imundo
Nem a coerção da fé religiosa

A paz não é o que se aprende nas escolas
Por acordos de países beligerantes
Nem o matraqueado de matronas
Desejando o marido da vizinha

A paz não é a conquista do paraíso
Nem a fresca aragem marinha
Não é o rio que corre lento
Entre cascatas de pedra e aço

A paz não é a música dolente
Nem a busca do artista, grande
Não é o esmorecimento na luta
Nem o cansaço de fim de jornada

A paz não é aperitivos pelos bares
Nem serestas de violões enamorados
Não é pomba de se fala tanto
Nem a patativa a cantar no campo


II

A paz é aquilo que sentimos
Quando da justiça nós buscamos
O seu gládio salvador de almas
Atravessando toda a eternidade

A paz é aquilo que sentimos
De bom em nosso peito pulsando
Sabendo que buscamos o progresso
Numa luta para a evolução constante

A paz é aquilo que sentimos
Ao arcar com compromisso cumprido
É a brisa do sol bater suave
Na face de quem pratica o belo

A paz é o amor em sua totalidade
Desprezando o físico e outra coisa
É a ternura em sermos amigos
Da planta do animal do homem

A paz enfim é possuirmos
A consciência tranqüila e serena
De sabermos haver cumprido
Os nossos deveres todos assumidos.

CANTO DE PAZ

I

En la edad de las civilizaciones
Por tanto tempo ya vividas
No equivale a nada – es eternidad
Y en esta fracción nunca hubo paz

La paz no es solo la ausencia
De la guerra bruta que surge fétida
Ni la ausencia de la violencia brutal
En el club del norte y del sur

La paz no es solo el marasmo
De los elementos quietos esperando la tempestad
Es algo más bello y más sublime
Talvez sea el propio Dios

No oler perfumes amenos
En el cuello suave de mujer bonita
No es el hijo calado y neurótico
Preso a los cuatro cantos del salón

No es verter sonrisas falsas
De hombres y mujeres histéricos
No es el hambre del sexo refulgente
Ni la timidez del angustiado

No es la voz muda llena de miedo
Esperando no perder el ordenado
No es el andar lento del victorioso
Ni el llanto amargo del vencido

No son lágrimas de amor malditos
O minutos acres de soledad profunda
No es el aprieto de manos enemigas
Ni el perdón de una alma flaca

No es la historia de hadas contada
En las calles por los niños paria
No es el silencio de la cárcel sucia y mal oliente
Ni la coerción de la fe religiosa

La paz no es aquello que se aprende en las escuelas
Por acuerdos de países beligerantes
Ni el matraqueado de matronas
Deseando el marido de la vecina

La paz no es la conquista del paraíso
Ni el fresco aire marino
No es el río que corre lento
Entre cascadas de piedra y acero

La paz no es la música doliente
Ni la búsqueda del artista, grande
No es el desespero en la lucha
Ni el cansancio del final de jornada

La paz no es un aperitivo por los bares
Ni cantes de guitarras y enamorados
No es el palomo de que se habla tanto
Ni el pájaro a cantar en el campo


II

La  paz es aquello que sentimos
Cuando de la justicia nosotros sentimos
Su gladio salvador de almas
Atravesando toda la eternidad


La paz es aquello que sentimos
De bueno en nuestro pecho pulsando
Sabiendo que buscamos el progreso
En una lucha para la evolución constante

La paz es aquello que sentimos
Al arcar con el compromiso cumplido
Es sentir la brisa del sol tocar suave
En el rostro de quién practica el bello

Paz es el amor en su totalidad
Despreciando el físico y otra cosa
Es la ternura en ser amigos
De la planta, del animal, del hombre

La paz en fin es poseer
La conciencia tranquila y serena
De saber cumplidos
Nuestros deberes,  todos asumidos.



Escrito por r.g.de.oliveira às 20h37
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Reconstrução

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O tempo passa cruel e santo
Abençoando e maltratando a gente
Mas logo terei nas horas de descanso
Maria minha a cuidar de mim
 
Cada qual faz o que merece
Dando de si o que é capaz
E a luta é a mais bela prece
Que o homem puro pode fazer
 
E eu me levanto soberbo e grande
Com meus poemas e minha luta
Não há governo que me cale a boca
Não há nação que me faça calar
 
Mas diante de uma fábrica
Sorrio e choro cantando samba
Operários do mundo sois minha pátria
Párias do universo sois meus amigos
 
Detesto gente que se diz intelectual
Odeio gente que vive de empregados
Quero instituto e sindicato a todos
Quero a igualdade e a justiça a meus irmãos
 
Não me importo com fausto e gala
Prefiro a festa de pés no chão
Prefiro o samba entre madrugadas
Que guitarras elétricas e opressão
 
Não pátria que se militariza
Minha pátria párias do universo
Abri os braços para a luta santa
Cruzada heróica de divino afã:
 
De dizer DIREITO aos algozes
Que de tribunais condenam delinqüentes
Esquecendo sempre indefinidamente
Que a sociedade que os formou
 
Prostituta vocês são minhas irmãs
Respeitáveis senhoras de antiga profissão
Vocês não teriam existido nunca
Se nós homens não fôssemos prostituidores
 
Vocês viciados em terríveis drogas
Vocês viciados horrível álcool
Não fora a insegurança do tempo
Nem ao menos Noé teria bebido
 
Contudo é válida a RECONSTRUÇÃO
De um novo templo e branco altar
Deitar por terra direito econômico
Surgir do lodo direito verdade
 
Bíblia coleção de livros hebraicos
Todos escritos em puro grego
Deixe de ser coleção opressora
Para ser pesquisa a um passado
 
Caiam os templos quais eles forem
Façamos dele idealista escola
Que servirão muito mais aos homens
Do que vestes sacerdotais
 
Babalaôs pastores pregadores e padres
Viveis de salvardes almas
Se ensinásseis ao menos não exploração
Estaríeis salvando a humanidade
 
Chega de cinismo religioso
O mais terrível freio de meus irmãos
Romperemos a algema de aço
E faremos dela a nossa armade luta
 
E essa luta inteira minha
Não me impede de amar Maria
Maria que não é de Magdala
Mas que é toda cheia de graça
 
Magdalena pertenceste a um Cristo justo
Mostrando a todos a pureza d’alma
Esqueço-me quem sou agora
E me identifico de coração
 
Com o mais humilde dos lixeiros
Com o mais forte proletariado
Esqueço-me de terras e fronteiras grandes
Eu sou do universo inteiro
 
Abro as minha mãos – afago o destino
Destino certo de servos humildes
Humildes esses que não são covardes
Humildes esses que se tornam grandes
 
E que por eles se fazem nações
Pregando amor pátrio para oprimir
Sorrio então de oprimido – revoltoso
De revoltoso – justo grilhão
 
E assim continuo a luta
Iniciada ao início da exploração
Abaixo jóias e coquetéis de orgia
Acima o amor a luta o trabalho
 
Chega então o dia esperado
E em festa o universo inteiro
Cairão do alto flores silvestres
Nascerão do solo novos amores
 
Surgirão do nada fantasmas esses
Que se dirão a verdade e a justiça
De onde houver a falta do  DIREITO
Seremos aí o braço forte da lei



Escrito por r.g.de.oliveira às 20h33
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