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Blog de r.g.de.oliveira
 


Crase

Krâsis

 

 

 

 

Há algum tempo uma professora me corrigiu dizendo que o que existe é o acento ‘crase’, e não como aprendi, acento grave que indica crase. Bem, vamos lá, puristas da língua: Procurei no dicionário mais popular, o Aurélio Eletrônico, séc. XXI: 1.      E. Ling. Contração ou fusão de duas vogais em uma só: à (aa); ler (leer); dor (door). 2.Estudo de Linguagem Restritiva. A contração de dois aa.  3. Estudos de Linguagem.  Designação vulgar do acento indicativo de certos casos de crase[i]. Ex.: Em vou à praia, o a deve ter crase[ii]. 4. Temperamento, constituição, índole. 5. Medicina. Mistura harmoniosa dos humores corporais.

Em acento grave achei no mesmo dicionário: b) o acento grave, apenas empregado, de acordo com as normas ortográficas vigentes, para indicar a crase [iii]da preposição a com a forma feminina do artigo (a, as) e com os pronomes demonstrativos (a, as, aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo): O político falou às massas; Refiro-me àquela pessoa que sabes; Quanto àquilo, nada sei.

Eu não consigo compreender como uma escola que propõe ensinar a língua culta faça esse tipo de afirmação. Eu entendo que as propostas pedagógicas modernas, inclusive o tão difamado construtivismo que muita gente leiga não sabe o que é, confundindo biólogo francês com pedagogo russo, pregam e defendem ardorosamente que o professor utilize o saber que o aluno traz de casa e dele partir para a linguagem culta. Não é para defender ‘para mim fazer’, ‘para mim cantar’, ‘para mim corrigir essa provas todas erradas’.

Não tem sentido escola que ensine errado, que ensine a língua mãe deturpada. E não param aí as coisas esquisitas: estão ensinando valores em lugar de filosofia, estão ensinando comportamento em lugar de sociologia e estão ensinando psicologia como se fosse a panacéia de conhecimento que o aluno precisa ter para se conhecer. Esse é o papel da escola formal? Eu não estou criticando apenas a escola pública que não faz marketing de seu trabalho, critico também escolas particulares que colocam cartazes com a escrita se não errada, equivocada.

E, o pior, nós não temos como controlar isso, os especialistas em educação estão embutidos de trabalho burocrático que não permite que façam alguma coisa além de repassar ordem. E eles reclamam com razão por não terem tempo de se dedicarem mais ao ensino, mas essa reclamação cabe ao sistema, que sei que não me ouve e não houve também quem queira melhorá-lo

 

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[i] Grifo nosso

[ii] Grifo nosso

[iii] Grifo nosso



Escrito por r.g.de.oliveira às 21h38
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crônica

Modo de vida ou Filosofia...

 

  

 

 

Após muitos anos a filosofia voltou a fazer parte do currículo das escolas, ela tinha sido vítimas do nosso período de exceção, porque os mi9litares de plantão em Brasília achavam, e com razão, que a filosofia não poder e não fica prisioneira de dogmas, quais eles forem, e mesmo uma filosofia que defenda a força e o extremo o faz com base em uma sustentação, com argumentos, o que os militares que assumiram o poder no Brasil, em 1964, não tinham.

A LDBEN de 1996, a Lei Darci Ribeiro, colocou a Filosofia e a sociologia como disciplina do Ensino Médio, o que alguns educadores, membros do MEC, basta ver os argumentos da Resolução 15 do Conselho Nacional de Educação que argumentam que a Filosofia deveria ser diluída em outras disciplinas, deveria ter uma abordagem transdisciplinar, mas foram derrotados, felizmente.

Agora ocorre outros fatos que deturpam o ensino de Filosofia. Há professores que estão trabalhando ‘modo de vida’ como a sendo. Tem-se o famoso doze passos do amor, da aceitação do outro, dos bons costumes, mas estudar filosofia não se resume nisso, isso é muita pobreza de raciocínio, é não saber o que é Filosofia, o segundo ramo do conhecimento que surgiu, aquele após a mitologia, e que dela surgiram as ciências modernas.

Filosofia: “Estudo que se caracteriza pela intenção de ampliar incessantemente a compreensão da realidade, no sentido de apreendê-la na sua totalidade, quer pela busca da realidade capaz de abranger todas as outras, o Ser (ora 'realidade suprema', ora 'causa primeira', ora 'fim último', ora 'absoluto', 'espírito', 'matéria', etc.), quer pela definição do instrumento capaz de apreender a realidade, o pensamento (as respostas às perguntas: que é a razão? o conhecimento? a consciência? a reflexão? que é explicar? provar? que é uma causa? um fundamento? uma lei? um princípio? etc.), tornando-se o homem tema inevitável de consideração. Ao longo da sua história, em razão da preeminência que cada filósofo atribua a qualquer daqueles temas, o pensamento filosófico vem-se cristalizando em sistemas, cada um deles uma nova definição da filosofia.” É uma definição do Aurélio Eletrônico. Então por que a burocracia de dirige o e3nsino público não orienta esses professores sobre o que é Filosofia, para não cairmos no senso comum de transformá-la em uma mera interpretação moral, nem ética, do ser humano, acima de suas convicções religiosas, lembrando inclusive Agostinho?

Escrito por r.g.de.oliveira às 21h36
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Canto de guerra

Canto de guerra

 

“Hoje amanheço

Sem ter dormido

Com dores no corpo

De alma sofrida

Que a arma pesada

Continua gritando

Nas mãos erradas

Que passam matando

Crianças inocentes

Sofrimento da gente

Porque todos queremos

Viver da justiça

 

Mas não importam

Mortos os filhos

Queremos a horta

De nossos quintais

Crescerem gigantes

Sozinhas para nós

 

 

Eu morro lutando

Meu filho chorando

Mas continuando

Iremos ao fim

Morrer é bonito

Quando por ideal

Nobreza aqui

Mandaremos embora

Capitães aqui

Mataremos à noite

E no dia seguinte

Colheremos o eito

Para durante a noite

Podermos lutar

 

Que vale a vida

Que temos aqui

Se o mais importante

É livre tornar

O grande Palmares

De soldado agressor

O preço que pago

Para isso atingir

É pouco é nada

Comparando somente

Onde quero chegar

 

 



Escrito por r.g.de.oliveira às 21h33
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Soneto em contra ponto

Soneto em contra ponto

 

A vida eu passei e não caminhei...

Da morte eu fugi e perto vivi.

Do sonho eu caí. Tudo perdi.

A vida eu passei e não caminhei...

 

A morte eu passei e não ofertei...

Da vida eu fugi e perto vivi.

Da estrada eu caí e nada perdi.

A morte eu passei e não ofertei...

 

Se um dia clamo para se ter vida,

Em outro clamo para se ter morte.

Vida e morte e se tendo morte e vida

 

Nisso se resume a sorte:

Mas eu tenho em mim habitando, Rita:

Que tem a paz e o paraíso imita.

 



Escrito por r.g.de.oliveira às 21h30
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1º SONETO DE 2001

 

 

 

 

A guerra já chegou... de tantas mortes

com as chacinas na periferia:

vira o medo em pavor na noite ou dia

que não garante nunca boa sorte.

 

Também nos palacetes tem aporte

temor... também horror de uma agonia

vinda pelas mãos céleres; havia

a grande chance de uma inglória sorte.

 

São os corpos jogados aos terrenos

(que são estoques esperando aumento),

que perfurados escorrem o sangue

 

que um dia foi menino e foi sereno...

Mas um adulto foi feito pelo vento

Da sociedade que se sente exangue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ETERNIDADE

( 1979)

 

 

 

 

A leveza de meus passos lentos,

os ventos que dou quando respiro,

quedas que eu levo em todos momentos,

lentos arfares, leve suspiro

 

que chega trazido pelo vento,

em lentos passos que à vida miro

e, trovoadas, grandes tormentos,

que em ventos mando, a história firo.

 

Das revoluções sou arcabouço,

eu ouço e faço tombar os grandes

em vales grandes que não mais ouço.

 

E fico eu. Pólvora mesmo. Mande

o grande à frente, que ele não ouse

impedir o passo do gigante.

 

 

  



Escrito por r.g.de.oliveira às 00h43
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