Canto de Paz
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| Lectora: Juçara Spinelli |
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I
Na idade das civilizações Por tanto tempo já vividas Não equivale a nada – é eternidade E nesta fração nunca houve paz
A paz não é somente a ausência Da guerra bruta que surge fétida Nem a falta da violência chula Em cabarés do norte e do sul
A paz não é somente o marasmo Dos elementos quedos esperando tempestade É algo mais belo e mais sublime Talvez seja o próprio Deus
Não cheirar perfumes amenos Em colo suave de mulher bonita Não é o filho calado e neurótico Preso aos quatro cantos da sala
Não é verter sorrisos falsos De homens e mulheres histéricos Não é a fome do sexo refulgente Nem a timidez do sofrido
Não é a voz muda cheia de medo Esperando não perder o ordenado Não é o andar lento do vitorioso Nem o choro amargo do vencido
Não é soluços de amor malditos Ou minutos acres de solidão profunda Não é o aperto de mãos inimigas Nem o perdão de uma alma fraca
Não é a história da fadas contada Nas ruas pela molecada pária Não é o silêncio do cárcere imundo Nem a coerção da fé religiosa
A paz não é o que se aprende nas escolas Por acordos de países beligerantes Nem o matraqueado de matronas Desejando o marido da vizinha
A paz não é a conquista do paraíso Nem a fresca aragem marinha Não é o rio que corre lento Entre cascatas de pedra e aço
A paz não é a música dolente Nem a busca do artista, grande Não é o esmorecimento na luta Nem o cansaço de fim de jornada
A paz não é aperitivos pelos bares Nem serestas de violões enamorados Não é pomba de se fala tanto Nem a patativa a cantar no campo
II
A paz é aquilo que sentimos Quando da justiça nós buscamos O seu gládio salvador de almas Atravessando toda a eternidade
A paz é aquilo que sentimos De bom em nosso peito pulsando Sabendo que buscamos o progresso Numa luta para a evolução constante
A paz é aquilo que sentimos Ao arcar com compromisso cumprido É a brisa do sol bater suave Na face de quem pratica o belo
A paz é o amor em sua totalidade Desprezando o físico e outra coisa É a ternura em sermos amigos Da planta do animal do homem
A paz enfim é possuirmos A consciência tranqüila e serena De sabermos haver cumprido Os nossos deveres todos assumidos. |
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CANTO DE PAZ |
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I
En la edad de las civilizaciones Por tanto tempo ya vividas No equivale a nada – es eternidad Y en esta fracción nunca hubo paz
La paz no es solo la ausencia De la guerra bruta que surge fétida Ni la ausencia de la violencia brutal En el club del norte y del sur
La paz no es solo el marasmo De los elementos quietos esperando la tempestad Es algo más bello y más sublime Talvez sea el propio Dios
No oler perfumes amenos En el cuello suave de mujer bonita No es el hijo calado y neurótico Preso a los cuatro cantos del salón
No es verter sonrisas falsas De hombres y mujeres histéricos No es el hambre del sexo refulgente Ni la timidez del angustiado
No es la voz muda llena de miedo Esperando no perder el ordenado No es el andar lento del victorioso Ni el llanto amargo del vencido
No son lágrimas de amor malditos O minutos acres de soledad profunda No es el aprieto de manos enemigas Ni el perdón de una alma flaca
No es la historia de hadas contada En las calles por los niños paria No es el silencio de la cárcel sucia y mal oliente Ni la coerción de la fe religiosa
La paz no es aquello que se aprende en las escuelas Por acuerdos de países beligerantes Ni el matraqueado de matronas Deseando el marido de la vecina
La paz no es la conquista del paraíso Ni el fresco aire marino No es el río que corre lento Entre cascadas de piedra y acero
La paz no es la música doliente Ni la búsqueda del artista, grande No es el desespero en la lucha Ni el cansancio del final de jornada
La paz no es un aperitivo por los bares Ni cantes de guitarras y enamorados No es el palomo de que se habla tanto Ni el pájaro a cantar en el campo
II
La paz es aquello que sentimos Cuando de la justicia nosotros sentimos Su gladio salvador de almas Atravesando toda la eternidad
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La paz es aquello que sentimos De bueno en nuestro pecho pulsando Sabiendo que buscamos el progreso En una lucha para la evolución constante
La paz es aquello que sentimos Al arcar con el compromiso cumplido Es sentir la brisa del sol tocar suave En el rostro de quién practica el bello
Paz es el amor en su totalidad Despreciando el físico y otra cosa Es la ternura en ser amigos De la planta, del animal, del hombre
La paz en fin es poseer La conciencia tranquila y serena De saber cumplidos Nuestros deberes, todos asumidos.
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Escrito por r.g.de.oliveira às 20h37
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Reconstrução
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O tempo passa cruel e santo Abençoando e maltratando a gente Mas logo terei nas horas de descanso Maria minha a cuidar de mim Cada qual faz o que merece Dando de si o que é capaz E a luta é a mais bela prece Que o homem puro pode fazer E eu me levanto soberbo e grande Com meus poemas e minha luta Não há governo que me cale a boca Não há nação que me faça calar Mas diante de uma fábrica Sorrio e choro cantando samba Operários do mundo sois minha pátria Párias do universo sois meus amigos Detesto gente que se diz intelectual Odeio gente que vive de empregados Quero instituto e sindicato a todos Quero a igualdade e a justiça a meus irmãos Não me importo com fausto e gala Prefiro a festa de pés no chão Prefiro o samba entre madrugadas Que guitarras elétricas e opressão Não pátria que se militariza Minha pátria párias do universo Abri os braços para a luta santa Cruzada heróica de divino afã: De dizer DIREITO aos algozes Que de tribunais condenam delinqüentes Esquecendo sempre indefinidamente Que a sociedade que os formou Prostituta vocês são minhas irmãs Respeitáveis senhoras de antiga profissão Vocês não teriam existido nunca Se nós homens não fôssemos prostituidores Vocês viciados em terríveis drogas Vocês viciados horrível álcool Não fora a insegurança do tempo Nem ao menos Noé teria bebido Contudo é válida a RECONSTRUÇÃO De um novo templo e branco altar Deitar por terra direito econômico Surgir do lodo direito verdade Bíblia coleção de livros hebraicos Todos escritos em puro grego Deixe de ser coleção opressora Para ser pesquisa a um passado Caiam os templos quais eles forem Façamos dele idealista escola Que servirão muito mais aos homens Do que vestes sacerdotais Babalaôs pastores pregadores e padres Viveis de salvardes almas Se ensinásseis ao menos não exploração Estaríeis salvando a humanidade Chega de cinismo religioso O mais terrível freio de meus irmãos Romperemos a algema de aço E faremos dela a nossa armade luta E essa luta inteira minha Não me impede de amar Maria Maria que não é de Magdala Mas que é toda cheia de graça Magdalena pertenceste a um Cristo justo Mostrando a todos a pureza d’alma Esqueço-me quem sou agora E me identifico de coração Com o mais humilde dos lixeiros Com o mais forte proletariado Esqueço-me de terras e fronteiras grandes Eu sou do universo inteiro Abro as minha mãos – afago o destino Destino certo de servos humildes Humildes esses que não são covardes Humildes esses que se tornam grandes E que por eles se fazem nações Pregando amor pátrio para oprimir Sorrio então de oprimido – revoltoso De revoltoso – justo grilhão E assim continuo a luta Iniciada ao início da exploração Abaixo jóias e coquetéis de orgia Acima o amor a luta o trabalho Chega então o dia esperado E em festa o universo inteiro Cairão do alto flores silvestres Nascerão do solo novos amores Surgirão do nada fantasmas esses Que se dirão a verdade e a justiça De onde houver a falta do DIREITO Seremos aí o braço forte da lei
Escrito por r.g.de.oliveira às 20h33
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Crase
Krâsis
Há algum tempo uma professora me corrigiu dizendo que o que existe é o acento ‘crase’, e não como aprendi, acento grave que indica crase. Bem, vamos lá, puristas da língua: Procurei no dicionário mais popular, o Aurélio Eletrônico, séc. XXI: 1. E. Ling. Contração ou fusão de duas vogais em uma só: à (aa); ler (leer); dor (door). 2.Estudo de Linguagem Restritiva. A contração de dois aa. 3. Estudos de Linguagem. Designação vulgar do acento indicativo de certos casos de crase[i]. Ex.: Em vou à praia, o a deve ter crase[ii]. 4. Temperamento, constituição, índole. 5. Medicina. Mistura harmoniosa dos humores corporais.
Em acento grave achei no mesmo dicionário: b) o acento grave, apenas empregado, de acordo com as normas ortográficas vigentes, para indicar a crase [iii]da preposição a com a forma feminina do artigo (a, as) e com os pronomes demonstrativos (a, as, aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo): O político falou às massas; Refiro-me àquela pessoa que sabes; Quanto àquilo, nada sei.
Eu não consigo compreender como uma escola que propõe ensinar a língua culta faça esse tipo de afirmação. Eu entendo que as propostas pedagógicas modernas, inclusive o tão difamado construtivismo que muita gente leiga não sabe o que é, confundindo biólogo francês com pedagogo russo, pregam e defendem ardorosamente que o professor utilize o saber que o aluno traz de casa e dele partir para a linguagem culta. Não é para defender ‘para mim fazer’, ‘para mim cantar’, ‘para mim corrigir essa provas todas erradas’.
Não tem sentido escola que ensine errado, que ensine a língua mãe deturpada. E não param aí as coisas esquisitas: estão ensinando valores em lugar de filosofia, estão ensinando comportamento em lugar de sociologia e estão ensinando psicologia como se fosse a panacéia de conhecimento que o aluno precisa ter para se conhecer. Esse é o papel da escola formal? Eu não estou criticando apenas a escola pública que não faz marketing de seu trabalho, critico também escolas particulares que colocam cartazes com a escrita se não errada, equivocada.
E, o pior, nós não temos como controlar isso, os especialistas em educação estão embutidos de trabalho burocrático que não permite que façam alguma coisa além de repassar ordem. E eles reclamam com razão por não terem tempo de se dedicarem mais ao ensino, mas essa reclamação cabe ao sistema, que sei que não me ouve e não houve também quem queira melhorá-lo
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Escrito por r.g.de.oliveira às 21h38
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crônica
Modo de vida ou Filosofia...
Após muitos anos a filosofia voltou a fazer parte do currículo das escolas, ela tinha sido vítimas do nosso período de exceção, porque os mi9litares de plantão em Brasília achavam, e com razão, que a filosofia não poder e não fica prisioneira de dogmas, quais eles forem, e mesmo uma filosofia que defenda a força e o extremo o faz com base em uma sustentação, com argumentos, o que os militares que assumiram o poder no Brasil, em 1964, não tinham.
A LDBEN de 1996, a Lei Darci Ribeiro, colocou a Filosofia e a sociologia como disciplina do Ensino Médio, o que alguns educadores, membros do MEC, basta ver os argumentos da Resolução 15 do Conselho Nacional de Educação que argumentam que a Filosofia deveria ser diluída em outras disciplinas, deveria ter uma abordagem transdisciplinar, mas foram derrotados, felizmente.
Agora ocorre outros fatos que deturpam o ensino de Filosofia. Há professores que estão trabalhando ‘modo de vida’ como a sendo. Tem-se o famoso doze passos do amor, da aceitação do outro, dos bons costumes, mas estudar filosofia não se resume nisso, isso é muita pobreza de raciocínio, é não saber o que é Filosofia, o segundo ramo do conhecimento que surgiu, aquele após a mitologia, e que dela surgiram as ciências modernas. Filosofia: “Estudo que se caracteriza pela intenção de ampliar incessantemente a compreensão da realidade, no sentido de apreendê-la na sua totalidade, quer pela busca da realidade capaz de abranger todas as outras, o Ser (ora 'realidade suprema', ora 'causa primeira', ora 'fim último', ora 'absoluto', 'espírito', 'matéria', etc.), quer pela definição do instrumento capaz de apreender a realidade, o pensamento (as respostas às perguntas: que é a razão? o conhecimento? a consciência? a reflexão? que é explicar? provar? que é uma causa? um fundamento? uma lei? um princípio? etc.), tornando-se o homem tema inevitável de consideração. Ao longo da sua história, em razão da preeminência que cada filósofo atribua a qualquer daqueles temas, o pensamento filosófico vem-se cristalizando em sistemas, cada um deles uma nova definição da filosofia.” É uma definição do Aurélio Eletrônico. Então por que a burocracia de dirige o e3nsino público não orienta esses professores sobre o que é Filosofia, para não cairmos no senso comum de transformá-la em uma mera interpretação moral, nem ética, do ser humano, acima de suas convicções religiosas, lembrando inclusive Agostinho?
Escrito por r.g.de.oliveira às 21h36
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Canto de guerra
Canto de guerra
“Hoje amanheço
Sem ter dormido
Com dores no corpo
De alma sofrida
Que a arma pesada
Continua gritando
Nas mãos erradas
Que passam matando
Crianças inocentes
Sofrimento da gente
Porque todos queremos
Viver da justiça
Mas não importam
Mortos os filhos
Queremos a horta
De nossos quintais
Crescerem gigantes
Sozinhas para nós
Meu filho chorando
Mas continuando
Iremos ao fim
Morrer é bonito
Quando por ideal
Nobreza aqui
Mandaremos embora
Capitães aqui
Mataremos à noite
E no dia seguinte
Colheremos o eito
Para durante a noite
Podermos lutar
Que vale a vida
Que temos aqui
Se o mais importante
É livre tornar
O grande Palmares
De soldado agressor
O preço que pago
Para isso atingir
É pouco é nada
Comparando somente
Onde quero chegar
Escrito por r.g.de.oliveira às 21h33
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Soneto em contra ponto
Soneto em contra ponto
A vida eu passei e não caminhei...
Da morte eu fugi e perto vivi.
Do sonho eu caí. Tudo perdi.
A vida eu passei e não caminhei...
A morte eu passei e não ofertei...
Da vida eu fugi e perto vivi.
Da estrada eu caí e nada perdi.
A morte eu passei e não ofertei...
Se um dia clamo para se ter vida,
Em outro clamo para se ter morte.
Vida e morte e se tendo morte e vida
Nisso se resume a sorte:
Mas eu tenho em mim habitando, Rita:
Que tem a paz e o paraíso imita.
Escrito por r.g.de.oliveira às 21h30
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A guerra já chegou... de tantas mortes
com as chacinas na periferia:
vira o medo em pavor na noite ou dia
que não garante nunca boa sorte.
Também nos palacetes tem aporte
temor... também horror de uma agonia
vinda pelas mãos céleres; havia
a grande chance de uma inglória sorte.
São os corpos jogados aos terrenos
(que são estoques esperando aumento),
que perfurados escorrem o sangue
que um dia foi menino e foi sereno...
Mas um adulto foi feito pelo vento
Da sociedade que se sente exangue.
( 1979)
A leveza de meus passos lentos,
os ventos que dou quando respiro,
quedas que eu levo em todos momentos,
lentos arfares, leve suspiro
que chega trazido pelo vento,
em lentos passos que à vida miro
e, trovoadas, grandes tormentos,
que em ventos mando, a história firo.
Das revoluções sou arcabouço,
eu ouço e faço tombar os grandes
em vales grandes que não mais ouço.
E fico eu. Pólvora mesmo. Mande
o grande à frente, que ele não ouse
impedir o passo do gigante.
Escrito por r.g.de.oliveira às 00h43
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Ad eternum
Ad eternum
Não posso parar no meio da rua que um ‘automovente’ me atropelará por certo.
Não posso parar no meio de um rio que ele me levará para sempre e eu não mais serei eu e nem eu seria eu se porventura achado, apenas, corpo.
A vida é suportável porque sou forte e mais forte que eu apenas o meu eu eu meu eu que eu não mando mas que é eu. SOU EU.
Bem depressa pelo tempo
Vou andando
Rita vai junto
Arary filosofa
Anahi filosofa
E Arary
E Anahi
E Rita
Companheiros inseparáveis de jornada pelo tempo.
O tempo não o quero
Ele é apenas representação da realidade
Eu sou real sem tempo
Fração não sou não somos não seremos
E a parte fica no indivíduo egoísta
Como o todo somos nós.
A eternidade está para mim como está para Rita
Para Anahi para Arary
E a eternidade é ‘ terna’
Já dissera eu menino
Sem as cãs brancas que hoje me cobrem.
O moto-contínuo é uma verdade
Moto-serra serra o tempo
Mas o tempo não me serra
Eu cerro o tempo
Porque sou eterno
E nem criado fui
Fui apenas concebido
Por pai e mãe
E pai eu sou como sabem Anahi e Arary.
O que fazer com o tempo que insiste em ser soberano parceiro e poderoso.
Eu não quero o tempo
E menos ainda uma representação da realidade
Eu sou a própria realidade
Real e sem comparação e sem medida de tempo
Espaço tanto
Que o tanto muda o tempo ou o tempo muda?
Vou
Sendo eu
Sou e vou
Estou
Na lápide que não é fim
É começo de um novo começo
Mas a lápide encerra um tempo
Que não sou eu por que sou a realidade.
Arary e Anahi vice-verso verso vice não sei.
Apenas que ando e vou sou.
Estou.
Ahhhhhh! Venci o tempo
E da realidade que sou
Apenas ficaram
As minhas pobres ações
Ternas eternas - à realidade
Me torno
Sou.
Escrito por r.g.de.oliveira às 18h41
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(2002)
Se a flor soubesse de você, querida,
Pele sentida de tantos perfumes,
Todas as cores que você resume
Sem ter ciúme p'ra viver a vida.
Se a cor soubesse de você, querida,
A flor havida que em você presume,
P'ra o caminhante fica sendo o lume,
Bom vaga-lume a cintilar na lida.
E sendo flor no meu jardim singelo,
A soberana rosa perfumada
De meus suaves e ternos anelos,
Súdito sou no reino de ventura
Que em companhia da mulher amada Morre de amor, tão cheio de ternura!
Escrito por r.g.de.oliveira às 21h22
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11º SONETO
(01/80) (na verdade deve ser o soneto 38)
Éramos alegres adolescentes
Sentando a mesma cadeira na escola.
Era o sorriso mostrando os seus dente
Tanto ainda o meu pensamento assola.
Nós éramos um bando sorridente
Com brincadeiras em cada sacola.
Era brincadeira dançante, tente
Se lembrar, que a tristeza vem e amola.
Tudo passou e o tempo foi embora
Deixando-me triste e só. A partida
Ficou inacabada. Resta agora
organizar o que tenho na vida:
restando ainda em mim, minha senhora,
pouco do sonho, que a sonhei querida.
Escrito por r.g.de.oliveira às 21h20
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Dona Philomena Orlando
Rodolfo Galvão de Oliveira
Professor e pedagogo
r.g.de.olveira@ig.com.br
Na minha vida de criança tive muitos professores ótimos, e para homenageá-los citarei acenas a Professora Philomena Orlando
Entrei na escola com seis anos, a completar em março de 1955, em uma escolinha municipal, lembro-me ainda o nome, Escola Mista Municipal do Horto Florestal, que fica na Avenida São João, onde hoje está a EE Prof. José de Mello Moraes, um antigo isolamento de ‘bexiguentos’ que mais tarde aprendi que eram aqueles que sofriam de varíola. Pela experiência que eu tinha com amigas de minha mãe, as professoras eram velhas, bigodudas, intolerantes, para não dizer más.
Saí sozinho de casa antes das sete horas da manhã, naquele tempo não precisava mãe levar filho para a escola, apesar que a minha casa ficava perto, era só atravessar o capão de mato e se chegava à escola, mas se não quisesse era só dar a volta ela rua São João, por onde havia um caminho de terra, rodeado de eucaliptos e madeiras de lei, como jequitibás, paus-dalho, pau-brasil, e muitas frutas silvestres, além do canto dos passarinhos e o assovio das raposas.
Passei na casa de colegas, formamos umas turminha e fomos para a escola. Lá chegando uma grata surpresa: a professora não era velha, ranzinza, bigoduda. Era uma moça morena, baixinha, simpática, sorridente e linda. Nós alunos ao mesmo instante nos caímos em sua simpatia. Arrumou a fila no hall, e perguntou que quem queria rezar rezava com ela, quem não queria que ficasse quieto respeitando quem orasse.
Eu já sabia ler e escrever com letras de forma, e fiquei desesperado quando descobri que precisava escrever com letra cursiva. Chorei, cheguei chorando em minha casa. Abri a cartilha e havia a lição do tatu e tentei desenhar a palavra com as letras cursivas. Recusei fazer aquele treino bobo de chuva, de onda, e outros rabiscos.
Mas a professorinha era maravilhosa, educada com todos e não gostava que maltratasse passarinhos, o que deixou claro no mesmo dia. Estabeleceu regras, levou o pessoalzinho ao banheiro para prender a usá-lo e naquele dia ninguém ouviu qualquer alteração de voz da professora. Nem nos dias seguintes e nem nos três anos que estudei naquela escolinha, que depois virou multi-seriada. Ela dava prêmios aos melhores alunos e não me lembro se ganhei algum ou não. Quando nasceu meu irmão caçula, ela foi visitar minha mãe e foi um cortejo interessante: ela andando pelo bairro, preferiu dar a volta e não enfrentar o mato, rodeada de crianças, suas alunas, todas elas orgulhosas por ela estar em nosso bairro.
Quando terminei a terceira série precisei mudar de escola, fui estudar no Grupo Escolar Morais Barros, e descobri que eu tinha razão, a minha professora, que saiu logo era velha, impertinente, bigoduda e má, e um dia disse para todos, “até ele sabe, que veio de uma escola muito fraca”. E do Morais Barros só me lembro de meus colegas, do Bino, ao Adilson, e todos os outros que não cabem seus nomes aqui. Ao Wando que me acompanhou da escolinha de Dona Philomena mas foi para uma outra classe...
Escrito por r.g.de.oliveira às 21h18
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escola antiga 3
Começo de ano do curso de Magistério
Rodolfo Galvão de Oliveira
Professor e pedagogo
r.g.de.oliveira@ig.com.br
Já disse uma vez que invejei o paletó de meu amigo Paulo, paletó que eu tinha tido quando criança, parte de um terno que tinha calça curta, de cor verde petróleo, mandado fazer por meu pai quando eu tinha sete ou oito anos. No Sud ganhamos um tempo até providenciarmos um paletó para uniforme, mas estava um calor dos diabos e fui conversar com o diretor e ele concordou que se não usássemos paletó poderíamos usar o uniforme.
As disciplinas estudadas eram iguais do ginásio, falando da Língua Portuguesa, História e Geografia. O desenho era para que aprendêssemos desenhar coisas que facilitassem a aprendizagem e o primeiro desenho, se não me falta a memória foi o Bidu, personagem novo do Maurício de Souza. Logo depois começaram os desenhos de bichos e objetos que continham letras do alfabeto inteiro. O nome da professora era, me parece Nádia, e morava em São Pedro. Não tenho certeza.
A cada aula um intervalo de 10 minutos, hora de entrada 7:00h e saída 11:50, de segunda a sábado. Nos intervalos descobri que na série seguinte havia um garoto, o Ariovaldo, simpático e amigo e logo entrou em nossa turma, não havia muitos garotos para conversar e o pátio era dividido por um muro, que no nosso curso tinha o portão aberto, mas era menina aqui e menino ali.
A escola também oferecia de manhã o curso ‘primário’ e o curso clássico que quem o fazia eram os candidatos aos cursos de humanidades. Direito inclusive. E no curso clássico muitos rapazes de origem seminarística, um pessoal amigo e interessante.
As garotas tímidas como nós, olhando de soslaio como nós a procura de uma conversa, de um conhecimento mais amigo, para conhecer melhor o colega que acompanhará o curso. Eu fazia concomitantemente um curso de técnico em contabilidade em outra escola e descobri que uma colega nossa, não da mesma classe, também fazia o curso na mesma sala, durante a noite. Foi uma grande descoberta.
Nesse tempo comecei a aperfeiçoar as minhas poesias, horríveis e começaram a sair as mais inteligíveis, com os mais variados temas, desde alegria, saudade, sofrimento, quanto eu sofria intelectualmente não era possível mensurar. Assim estava começando a minha vida de professor, apesar dos hiatos havidos bem mais tarde.
Escrito por r.g.de.oliveira às 21h17
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escola antiga 2
Um dia de abril no Sud de 1964
Rodolfo Galvão de Oliveira
Professor e pedagogo
r.g.de.oliveira@ig.com.br
Era o ano de 1964, mês de abril, e o Sud continuava com sua rotina no Curso Normal, chamado oficialmente de Curso Colegial de Formação de Professores Primários. A nossa sala era a última, do lado direito da ala que fica na Rua XV de Novembro. Eu me sentava na segunda carteira da primeira fileira, na frente do Paulo.
Eu andava meio ressabiado, o telefone de casa estava grampeado, quando tirávamos do gancho, era um telefone rural, de manivela, ouvíamos o barulho de um gravador, porque meu pai tinha sido um sindicalista e participado de um partido de esquerda. A pressão psicológica e política daqueles que derrubaram Goulart em 1º de abril daquele ano (para mim foi primeiro de abril, não 31 de março como quer a historiografia oficial).
Eis que de repente invade a nossa sala de aula o diretor da escola, que não me lembro o nome, convidando-nos a participar da passeata Com Deus Pela Família e Liberdade, que apoiava o golpe e era organizada pela Igreja e por setores da direita. Perguntou quem iria, e pediu que quem fosse se levantasse. Muitos não se levantaram, inclusive eu, então saiu um sonoro grito que éramos traidores da pátria e que exigia que fôssemos participar. Continuei o quanto pude sentado, mas o que pode um garoto de 16 anos, acusado de traidor da pátria?
Depois de um silêncio, deixa-me lembrar aqui uma palavra quase esquecida por mim, um silêncio sepulcral, a aula continuou de uma maneira incômoda para o professor. E saiu a notícia que haveria uma chamada de verificação de presença, para conferir quem não fosse para as devidas punições. Não sei se isso era verdade ou mentira. Meu pai comentou que não iriam se importar com um adolescente, mas perguntei e com o pai de um deles? O velho Joãozinho não respondeu.
Pelo sim e pelo não compareci no início da passeata que saía do Largo da Paulista e desceria a Rua Governador Pedro de Toledo e fui com meus amigos. Demos o ar de presença e não participamos da passeata.
Essa era a escola em que eu estudava, era a escola maravilhosa, risonha e franca. Tínhamos bons professores, mas a estrutura dela não era de inclusão, era para os mais bem favorecidos da sorte. Mas essa é uma questão pedagógica e deve ser tratada pedagogicamente, mesmo pro aqueles que não entendem de pedagogia e didática. Mas eu tenho saudade daquele tempo, não da escola mas de meus colegas, de meus amigos, que nada tinham com a direção da escola... Um inclusive desapareceu...
Escrito por r.g.de.oliveira às 21h15
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escola antiga 1
A primeira aula no curso de magistério
Rodolfo Galvão de Oliveira
Professor e pedagogo
r.g.de.oliveira@ig.com.br
Na terceira série do ginásio, no Sud Mennucci, depois de muito perseguido por uma professora de português, reagi e fui transferido compulsória mente ao noturno, eu um pobre filho de operário, mas dizem por aí que no Sud era um tratamento igualitário. Eu nunca vi isso. Completei o ginásio no curso noturno e fui fazer o magistério no período da manhã. Eu tinha dezesseis anos.
Cheguei feliz como todos os adolescentes são felizes de vez em quando, vestindo o meu uniforme impecável de calça caqui e camisa branca, com um SM pregado no bolso, sapatos marrons com meias pretas. Descobri que eu precisava ir de paletó, pois professor deveria usar paletó, inclusive achei maravilhoso o meu amigo Paulo estar de paletó.
Na sala de aula muitas garotas e rapazes poucos, o Paulo, o Roberto, o Albino, o Rudi, o Luiz que ficou pouco tempo e o Oraci, que me chamava de Galvão e eu.. Passaram pela sala muitos professores, e o cheiro de material escolar era muito. Eu não tinha caderno, tinha apenas um formulário, coisa moderníssima, mas que me causou um incômodo enorme, eu perdia todas a folhas que se soltavam. Alguns professores me lembro o nome, Prof. Benedito de Andrade que me ensinou escrever e se não escrevo melhor foi porque não tive capacidade em aprender, Dona Mariinha, Prof. Maria José, Mané, professor de educação física, Prof. Sônia e outros que não me vêem à memória.
O diretor da escola o Prof. Adolfo Basile, dizia-se na época que era faixa preta em um tipo qualquer de luta, foi à nossa sala de aula estabelecer as regras, e para os garotos todos uma fundamental, não podíamos ter cabelo comprido pois não éramos marginais. No primeiro intervalo saímos todos e não havia cantina, apenas um bar na frente da escola, mas não podíamos sair de dentro dela, e um policiamento incrível dos inspetores de alunos e de serventes para coibir qualquer insinuação de namoro, menos ainda, de paquera, que naquele tempo se dizia ao flerte. Nós os garotos fizemos a nossa rodinha, comentamos a escola, as nossas expectativas e de novo bateu o sinal.
Foi a minha surpresa, era aula de música, e o Professor era o Maestro Rossini Dutra que já me conhecia do tempo de ginásio. E tínhamos que cantar, e eu nunca soube cantar, até hoje não consigo cantar duas notas quaisquer. Ele pediu caderno com pautas musicais, fez um teste de afinação com todos e eu não passei, e ele ‘brincou’ comigo: “Galvão ainda não aprendeu a cantar?” Naquele dia tirei a minha primeira nota vermelha no curso de magistério.
Escrito por r.g.de.oliveira às 21h15
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memória vária 1
Será que esqueci?
Intróito
A necessidade que todo mundo tem é ser reconhecido por alguma coisa que faça. Se nenhuma pessoa reconhecer um indivíduo ele não existe, pois estamos no mundo a partir de que sejamos reconhecidos em nossa particularidade.
Além desse reconhecimento do mundo exterior para com o indivíduo é preciso que esse indivíduo perceba a si mesmo como um ser único, particular e centro do universo, de certa forma como um ser egocêntrico, que é a própria individualidade.
Esta baboseira toda é para justificar se estou inserido na realidade ou não, se tenho importância histórica, pelo menos familiar. Não estou procurando uma origem que sei que tenho, mas vou rebuscar a minha memória para ver se ela ainda fala comigo.
Estou a procura do que aconteceu de fato com a minha formação intelectual, se é que tenho uma. A minha vida não será esmiuçada porque sei que vivi, mas tentarei refazer aquilo que me pareceu menos importante na época e que hoje percebo foi o esteio ao qual me formei.
Não presto conta de nada e nem cobro nada de ninguém tendo em vista que cada um é responsável pela construção de sua própria vida.
Será que ainda tenho memória?
Escrito por r.g.de.oliveira às 21h04
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